terça-feira, 1 de abril de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013



assim:






ou assim:







o importante é tocar trompete.


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terça-feira, 19 de novembro de 2013

o golias






ver o david byrne assim todo branquinho dá-me esperança no amanhã.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

tudo



se eu pudesse ser tantas coisas. se eu pudesse não sê-las.


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terça-feira, 24 de setembro de 2013

jacarta

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fervendo no sol de agosto,
há dias que não sou gente,
sou fogo-posto.


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sexta-feira, 12 de abril de 2013

se eu fosse eu ela


Se eu fosse eu

Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como?não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

Clarice Lispector publicado no Jornal do Brasil, 30/nov/1968

quinta-feira, 4 de abril de 2013

para ser inteiro





que tudo nasça no sangue, que tudo se entregue ao óbvio bater do coração,
e quanto muito, se espreguice.

o sol, esse analgésico






.e de repente tudo se cansa de ser próprio e andorinhas alinhadas chegam para substituir.






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sexta-feira, 22 de março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer 
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra.
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra.

Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra.
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra.

Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!


Nevoeiro, Fernando Pessoa


sábado, 29 de dezembro de 2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

domingo, 22 de julho de 2012









Drawing is touching at a distanceSigmund Abeles