domingo, 2 de janeiro de 2011
sossego
tudo o que em ti se acende em ti se apaga e se volta a acender. tens uma montanha dentro do teu peito e eu umas botas de escalada. de noite vou lá ver as estrelas e guardar os carneiros que roubei sorrateiramente ao teu sono. o teu chão é macio e quente, vem de pés descalços. vais gostar de lá ir, afinal é um sossego.
post it
as letras aninham-se umas nas outras como bichos. eu nelas me aninho. sopram bocadinhos de lã fiada e é nesta camisola que me aqueço. teço sem explicação e sem verdade. e sem mentira também. é o inverso da água parada.
é a apoteose do acaso. é um fogo de artíficio em junho, recado escrito no céu.
é a apoteose do acaso. é um fogo de artíficio em junho, recado escrito no céu.
correcto
tento cienciar o brilho, a chuva fininha e o rasto de uma nuvem. nada se confirma nem apaga e a felicidade espelha-se pelo meu corpo abaixo. infinito é o mistério de nada saber a não ser que tenho sede e que é água que me falta. os adornos da filosofia são contas enfiadas num colar. objecto vulgar da semi-vaidade.
cada silêncio é uma resposta certa de vinte valores.
cada silêncio é uma resposta certa de vinte valores.
geografia
no fundo dos olhos há um quintal. atrás de mim um rio que lava lençois brancos. à minha frente moram casas.
dentro delas moram muros que subo para ver céus mais de perto. tudo o que gira em torno do mundo se parece irremiavelmente com abraços prolongados. dias de braços curtos são dias fora do mundo onde cada segundo é um ano bissexto de coisa nenhuma. ninguém nasce nem ninguém morre neste quintal. é um eterno ficar-parado a subir.
dentro delas moram muros que subo para ver céus mais de perto. tudo o que gira em torno do mundo se parece irremiavelmente com abraços prolongados. dias de braços curtos são dias fora do mundo onde cada segundo é um ano bissexto de coisa nenhuma. ninguém nasce nem ninguém morre neste quintal. é um eterno ficar-parado a subir.
de cor
o corpo fala de coisas espalhadas no chão do jardim como se não lhe faltassem letras no teclado.
letras não morrem apenas são enterradas nas passadas pela terra macia. o corpo fala com a língua da pele e pela madrugada fora coleciona estrelas que se acendem fora do brilho delas, no brilho do corpo.
dicionários encavalitam-se nas bibliotecas à procura do teu significado. tens um adjectivo à mesa de cabeceira que não usas a não ser em dias que procuras a tua pele. uma romã cresce-te então no epicentro voraz da quietude.
tu comes e às vezes divides.
letras não morrem apenas são enterradas nas passadas pela terra macia. o corpo fala com a língua da pele e pela madrugada fora coleciona estrelas que se acendem fora do brilho delas, no brilho do corpo.
dicionários encavalitam-se nas bibliotecas à procura do teu significado. tens um adjectivo à mesa de cabeceira que não usas a não ser em dias que procuras a tua pele. uma romã cresce-te então no epicentro voraz da quietude.
tu comes e às vezes divides.
domingo, 26 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
38,5 de pé
tenho saudades de usar as palavras como se fossem umas meias grossas para sair num dia de inverno.
saio sempre desavisada e tenho esta mania de que nunca vai chover. nem nevar; e o que é certo é que nunca neva.
se eu usasse mais vezes as palavras saberia usar o ponto no ponto certo e vírgula no ponto e vírgula.
se eu usasse mais palavras encurtava-nos o caminho.
tem a mesma distância daí para cá, calça-as também.
saio sempre desavisada e tenho esta mania de que nunca vai chover. nem nevar; e o que é certo é que nunca neva.
se eu usasse mais vezes as palavras saberia usar o ponto no ponto certo e vírgula no ponto e vírgula.
se eu usasse mais palavras encurtava-nos o caminho.
tem a mesma distância daí para cá, calça-as também.
domingo, 28 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
dois espectáculos de uma qualidade inquestionável no espaço de uma semana digamos que não é sorte de principiante.
de tocar o coração I
de tocar o coração II
de tocar o coração I
de tocar o coração II
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