escrevi isto há uns anos no meu blog mais antigo e por ser aberto aqui fica.
a beleza da amizade
ou a beleza de acumular melhores amigos
|eu e o pedro|
a pré primária
se fechar os olhos e fizer muita força ao pensamento ainda consigo visualizar a cara da
minha primeira melhor amiga mas do nome não me lembro. devia ter aí uns três anos e
estávamos no infantário mas deve ter durado pouco tempo porque ela foi morar para outra
cidade. fiquei muito triste mas substitui-a rapidamente pelo pedro que era filho de uns
amigos dos meus pais. era muito bonzinho e gostávamos de apanhar minhocas na terra
para a nossa colecção. mas não as matávamos. durou até à primeira classe.
a escola primária
partilhámos o nervosismo de ir para uma escola nova. foi o meu primeiro colega de carteira e
de sabedoria. deve ter sido uma classe muito rica em melhores amigos porque só nesse ano
acumulei o nuno e logo a seguir a brígida. o nuno foi o meu segundo colega de carteira, suava
muito das mãos de nervosismo quando tinha que ir ao quadro e agarrava na caneta duma maneira
muito esquisita. também era muito bonzinho.foi o meu tom swayer e eu o huclleberry fynn dele.
éramos os melhores amigos das maiores aventuras. uma vez roubámos um português suave sem
filtro ao meu pai e fomos experimentá-lo para o jardim escondidos atrás de um arbusto. não me
lembro qual foi a sensação do cigarro mas lembro que foi a primeira vez que confundi amizade
com amor. ou o contrário.
pronto, passou a brígida a ser a minha colega de carteira mas durou pouco porque mais uma vez
fui atraiçoada pelos pais da minha melhor amiga que decidiram mudar de cidade. ela fazia anos
no mesmo dia que eu e tinha uma franja igual à minha mas era mais dentuça. uma vez fui posta
fora da sala porque disse que tinha sido eu a escrever "o professor é um caberão" em vez dela. mas
ela recuou e assumiu a culpa e veio para a rua comigo. realmente a amizade é incondicional,
percebi eu pela primeira vez. no final das férias grandes foi a última vez que a vi e assim comecei
a terceira classe com um vazio no peito. que triste que pode ser ter um melhor amigo!
o ciclo e a escola secundária
talvez para me proteger da dor, daí até ao segundo ano do ciclo, resolvi tornar-me popular e ter não
um mas um colectivo de melhores amigos. foi uma época muito feliz. caminhávamos lado a lado
triunfantes. a neuza, a liliana, a xana, a teresa, a ana cristina, enfim...tantas não eram demais
naquela alegria de imitarmos a madonna no teledisco do true blue a subir e a descer os meus
sofás como se estivéssemos mesmo lá; como se fossemos trabalhar para a metalúrgica todos
os dias com o sonho de nos tornármos bailarinas como a jennifer beals no flashdance. o que eu
cobiçava os tennis nike da rapariga dos goonies e do michael j. fox no regresso ao futuro...
quando comecei a sentir as primeiras dores de vida encontrei a pati caida do céu como um anjo
para me ajudar a crescer. depois a caroles. apareceu também a ana, trocámos livros da anais nin.
éramos quase grandes e muito sensíveis ao mundo. a célia, a carla e a sónia, ainda bem que tenho
estas pessoas, sou melhor por isso.
a faculdade
a pintura só vi finalmente na plenitude através dos olhos azuis da catarina, a poesia através da nani;
depois veio o gil, um mimo de amigo; a lú, a bárbara...
que coleção invejável de melhores amigos! eu não substituo, eu acumulo, é preciso que se note.
sempre tive esta mania de querer muito as pessoas e de precisar muito delas assim como espero
também lhes fazer falta. é um crescimento brutal.
a vida real
sempre gostei mais de fazer melhores amigos do que amigos simplesmente; foi o que fiz a vida toda
e ainda há bem pouco tempo fiz mais um e espero nunca mais parar.
um beijo no coração de todos, são muito importantes para mim.
31 de março de 2005
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