terça-feira, 31 de maio de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

" "

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


cecília meireles

quinta-feira, 12 de maio de 2011

para a minha avó

receio que o meu coração seja pequeno para tanto amor que deste.
um dia destes morro de amor por ti porque de saudades já morro a cada instante.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

" "

Há uma exuberância na bondade que parece ser maldade.


Friedrich Nietzsche

terça-feira, 3 de maio de 2011

"

quando o corpo se abre ao silêncio capas de discos amarelecem ao sol.

digo:
ter o nome debaixo da língua
e ter a íngua morta
é ter a chave da casa da moeda
mas não saber de que porta.

carta nº 3

gostavas quando o som aumentava o suor do teu corpo em ansiedade. és como eu, um pico na corrente que às vezes vai abaixo. outras vai tão acima que ninguém lá chega. gostavas de levar o corpo ao limite e levaste uma vez de vez.não faz mal já te perdoei.
sem deus e sem nada.

eUsOuoRiO

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"

gosto muito de saladas; de todos os tipos mas principalmente de salada de frutos da imaginação - disse eu lambendo os dedos e pousando a faca na mesa.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

*sublinhado

"... Depois o silêncio.
E na parte mais densa do silêncio, desce do tecto a aranha que aprisiona a tua infância."

al berto

terça-feira, 15 de março de 2011

paisagem

                                                      é tudo aquilo que me cerca e me mora.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

peixe

se eu fosse peixe nadaria de costas


perto da espinha o arrepio é mais romântico.

o nome da cidade onde nadaria seria nada

e viria a dizer nos livros da ciência especializada

que todos os meus vizinhos nadariam como eu,

de costas perto do arrepio.

onde a água sai do corpo e

a febre a seca em momentos de crise social

somos peixes a nadar de costas

apenas isso e as escolas do mundo

continuam iguais, a cuspir poetas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

bloco de notas . corpo



bloco de notas . cinema



bloco de notas . fé

...

estou feliz porque fez ontem 9 anos que a minha avó morreu e no dia anterior 12 que o meu pai morreu


e eu não me lembrei.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

olhos para te sentir


coração para te ver melhor

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

o meu amor








rodrigo costa pereira quando improvisa envergonha os anjos no céu.

||



repara como não mudei nada. repara bem. a franja recorta-se pela linha do meio-pensamento como de costume.
as riscas da camisola ainda guardam entre si a mesma distância milimétrica. o fio dos lábios continua a coser as coisas que não me saiem da cabeça num eterno patchwork. nada muda e eu muda.
talvez seja esse o meu tesouro enterrado no fundo mar que não encontras.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

conversas prováveis

- quem não leva uma piada a sério é porque nunca chorou com um samba.
- porquê?
- não sei nem quero saber.
quando é que tiras o saquinho?

...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

na estreia



só não lhe atiraram flores.


guardarei todas num frasquinho para as poderes chorar mais tarde.

domingo, 30 de janeiro de 2011

o escuro

ela não poupa energia porque dança à volta de uma lâmpada antiga.
ela acende o que eu apago.

sem cerimónia

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

mentiras sinceras




me interessam

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

||


se calhar já fumava um cigarro.

arquivo olfativo




borda d' água

desenhar é esgravatar sentidos na alma das coisas.
peso, forma e volume se agigantam dentro das unhas sujas.
a terra dá o que os poetas sonham.

arquivo angular

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

dizia assim:

quase sempre sou quase tudo
mas quase nunca o suficiente
para ser o bastante.



e depois também dizia assim:

um dia vais querer abrir a porta que fechaste
e se deus quiser ou outro amparador de almas qualquer,
vais entalar a mão que não me deste.

será que é também pecado,


ter cara de desenho animado?

não tenho amores maiores (o meu outro irmão)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

conselho do dia

nunca desprezes aquilo que não tens.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ouvir melhor.

perdes as palavras quando precisas de ouvir. distrais-te com facilidade e eu ando atrás de ti como no parque a ver se não cais do baloiço. de cá para lá é um instantinho enquanto te perco. sua enguia, não vês que a beira do rio não é estar com os pés dentro de água?
digo eu em grego por isso ouve melhor.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

na sala

hoje fiz café na sala. nunca tinha feito café na sala.

posso entrar?

até não sobrar corpo

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

primeira sugestão cultural do ano

como é que é? vamos aos pardais?

self portrait

das duas uma:
ou tu ou eu.

eu nem gosto de ficção

se me importa a mim
o romance no teu pasquim?

novo testamento

não, a idade não perdoa.
está cada vez menos católica, a puta.

morte súbita

quem imaginava que te parava o coração aos cinco minutos do segundo tempo?
- eu, disse olhando o campo.

mutação




auto da confissão (também não é um stand automóvel)

tanto me faz que alguém mude do pé para a mão
desde que não ponha o fígado no lugar do coração.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

aguada


feliz de quem num esboço (se) vem

carta nº2

queria falar-te que tudo corre bem e que a mãe foi operada. não é nada de complicado, apenas uma pequena cirurgia. perguntar-te como está a avó será uma redundância, espero que ela esteja a tomar conta de ti como de resto sempre tomou. de todos nós eu diria.
não sei se tens frio mas o inverno passeia-se por aqui ameno, mas tu sabes como é alcobaça, nunca se pode garantir frio no frio nem calor no calor. não sei como anda o sporting e para te ser sincera não tenho paciência para saber. sempre achei uma certa graça ao teu clubismo doentio e tenho que confessar que tinha muito orgulho em não seres como os outros todos, do benfica. não pelo benfica mas por não seres da maioria. como se a maioria alguma vez te assentasse bem. tenho pena que já não tenhas o prazer de dar festinhas nos animais como tanto gostavas. eu dou por ti, não te importes se aí não deres. ontem vi aquele desenho que te fiz quando era pequenina e tive a mesma sensação de cada vez que o vejo, de ser bom fazer-te uma surpresa mesmo que aparentemente não ligasses a essas coisas mariquinhas. porque tu és homem. dos típicos, daqueles a quem não lhes ocorre absolutamente mais nada a não ser o facto de serem homens. gostava que tivesses sido mulher. podias ter sido a minha mãe e ela podia ter sido tu. serias a mesma força da natureza. incomparável, não tenho dúvidas. podíamos ter conversado mais, tu sabias bem que eu te adorava. assim como eu também sabia. nunca me disseste e eu nunca te levei a mal porque eu sabia que éramos iguais. mas tu foste embora e eu agora tenho que ser os dois.

p.s. escrevo-te mesmo sabendo que isso possa ser rídiculo.

auto-estima não é um stand automóvel


domingo, 2 de janeiro de 2011

sossego

tudo o que em ti se acende em ti se apaga e se volta a acender. tens uma montanha dentro do teu peito e eu umas botas de escalada. de noite vou lá ver as estrelas e guardar os carneiros que roubei sorrateiramente ao teu sono. o teu chão é macio e quente, vem de pés descalços. vais gostar de lá ir, afinal é um sossego.

post it

as letras aninham-se umas nas outras como bichos. eu nelas me aninho. sopram bocadinhos de lã fiada e é nesta camisola que me aqueço. teço sem explicação e sem verdade. e sem mentira também. é o inverso da água parada.
é a apoteose do acaso. é um fogo de artíficio em junho, recado escrito no céu.

correcto

tento cienciar o brilho, a chuva fininha e o rasto de uma nuvem. nada se confirma nem apaga e a felicidade espelha-se pelo meu corpo abaixo. infinito é o mistério de nada saber a não ser que tenho sede e que é água que me falta. os adornos da filosofia são contas enfiadas num colar. objecto vulgar da semi-vaidade.
cada silêncio é uma resposta certa de vinte valores.

geografia

no fundo dos olhos há um quintal. atrás de mim um rio que lava lençois brancos. à minha frente moram casas.
dentro delas moram muros que subo para ver céus mais de perto. tudo o que gira em torno do mundo se parece irremiavelmente com abraços prolongados. dias de braços curtos são dias fora do mundo onde cada segundo é um ano bissexto de coisa nenhuma. ninguém nasce nem ninguém morre neste quintal. é um eterno ficar-parado a subir.

de cor

o corpo fala de coisas espalhadas no chão do jardim como se não lhe faltassem letras no teclado.
letras não morrem apenas são enterradas nas passadas pela terra macia. o corpo fala com a língua da pele e pela madrugada fora coleciona estrelas que se acendem fora do brilho delas, no brilho do corpo.
dicionários encavalitam-se nas bibliotecas à procura do teu significado. tens um adjectivo à mesa de cabeceira que não usas a não ser em dias que procuras a tua pele. uma romã cresce-te então no epicentro voraz da quietude.
tu comes e às vezes divides.

domingo, 26 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

sempre foi um esticão no coração





absolutamente maravilhosa vivienne

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

38,5 de pé

tenho saudades de usar as palavras como se fossem umas meias grossas para sair num dia de inverno.
saio sempre desavisada e tenho esta mania de que nunca vai chover. nem nevar; e o que é certo é que nunca neva.
se eu usasse mais vezes as palavras saberia usar o ponto no ponto certo e vírgula no ponto e vírgula.
se eu usasse mais palavras encurtava-nos o caminho.
tem a mesma distância daí para cá, calça-as também.

domingo, 28 de novembro de 2010

Houston, we have a problem

 




John Huston e Paul Newman
The Life and Times of Judge Roy Bean (1972).


agora inês é morta
o céu deve ser um sítio maravilhoso



sr. concha encontra um passarinho doente na praia e mais não sei

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

que duas coisas poderão fazer um ser humano ir a um domingo ao super-mercado em época de natal?

» comprar comida para cão

» comprar água

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ela não pensa que sabe fazer vídeos mas gosta muito de inventar.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

dois espectáculos de uma qualidade inquestionável no espaço de uma semana digamos que não é sorte de principiante.


de tocar o coração I

de tocar o coração II

amigos destes nunca são demais

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

vai tudo dar à mesma merda

ao subir as escadas do teatro nacional d. maria II por um milésimo de segundo vi o WC no logo do MC. 

que tromp-l'oeil fantástico.
apanhei-vos cabrõeszões (com dois tilezinhos e tudo)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010




não se aprecia muito viver por estes dias.
a mim não, a mim dá-me ganas.
nunca gostei de mal agradecidos mas por estes dias tenho apreciado menos.
quanto mais me morrem mais gosto de os viver.
a cruz que se carrega pode ser de pôr ao peito e além disso o kitsch está na moda.

carta nº 1

interrogo-me muitas vezes se terás aí uma casa. quem te lava a louça e as peúgas e essas coisas irrisórias que sustentam a harmonia prática do mundo. deste e desse onde moras.
a tua casa deve ser maior e deve ter um radiozinho de pilhas.
suponho que já saibas que o sporting ganhou.

?

não se fazem perguntas rídiculas. não se fazem.
a menos que tenhas algum motivo de força maior como ter o pai internado ou a casa a arder.
perguntas ridículas são tesouros que têm que ficar guardados secremente no sotão da tua cabecinha. lá mesmo no fundo onde já não vais há tanto tempo que precisas de um mapa para lá chegar.
errar é humano, não é?

bzzzzzz

moscas voavam à minha volta e eu fazia que nem as via (às vezes resulta com as pessoas). se pousavam, sacudia e continuava a ignorar mas a minha vontade era esmagar-lhes o corpo preto com o meu pé disforme.
(tenho a certeza que li em algum lado que isto às vezes também resulta com as pessoas)
de toda a maneira faria um círculo vermelho à volta da tua cara para ter a certeza que não me esqueceria de ti.
ainda que o meu coração sangrasse da mesma tinta e respingasse para cima das tuas unhas e tu sacudisses.
deixa isso e anda beber um chá de tília. tília, eu nem aprecio. faz-me de gengibre que sempre aqueço a garganta para te rezar.
sabes lá a falta que me tens feito, disse eu praticamente de joelhos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

aya takano

lueji voltou ao lago da sua infância. era elíptico, grande, só os bons nadadores o podiam atravessar no sentido do comprimento. as margens estavam cobertas de fetos compridos e também dos mais pequenos, de folhas em palma todas recortadas, os fetos da lunda. brincavam a se mascarar com estes, através dos quais tudo podiam ver. além de muitas outras variedades, o lago era rodeado de plantas com caniços compridos e de folha grande, que davam estranhas flores cor de rosa na ponta de hastes estreitas, as rosas de porcelana.


lueji, pepetela

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

leva-me a casa

hoje ao acordar tinha esta pequena pérola no email enviada pela minha mãe.
só para que conste, são cinco da tarde e ainda me estou a rir.



Na Ribeira:

- Ó Gilda, logo à noite bais às Antas?

- Naue, bou ó cinema.

- Bais ber o quiê?

- Olha, bou ber os "Colhões de Nabarone ".

- Ó Guida, naum é os 'Colhões de Nabarone' , é os 'Canhões de Nabarone'.

- Óh??? Fodasssse!!! Atoun, bou às Antas!!!


obrigada mãe.
até já, vou às antas

todo

terça-feira, 12 de outubro de 2010





podes fugir mas não te podes esconder, dizia-me o desenho que deixei abandonado na toalha do restaurante.