quinta-feira, 19 de abril de 2012












































- aurélia, o chá está a arrefecer. espero-te no jardim

quarta-feira, 18 de abril de 2012

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que pressa me atrasa para a hora certa?




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a linha__________________________________________--

segunda-feira, 16 de abril de 2012


























aroma e amora têm as mesmas letras

quarta-feira, 11 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

no céu
































































For most of history, Anonymous was a woman.
― Virginia Woolf

segunda-feira, 9 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012









natacha e zé feliz

domingo, 1 de abril de 2012

































oiço nuvens
quando um burro fala o outro baixa as orelhas

Xhxis X Natacha

sexta-feira, 30 de março de 2012









































O'Keefe was in the hospital for three months, she went to Bermuda for a rest. 
She didn't make love to me that time, I think on account of her weakness. Too bad.
Frida Kahlo

ando tão 1994

quinta-feira, 22 de março de 2012


-man, estás contente?
-sim e tu?
-super!

terça-feira, 20 de março de 2012

à superfície

por baixo da pele há vários rios que vão dar à foz da minha saudade
enquanto a ciência prova todos os dias que o sol nasce
eu provo todos os dias que o meu coração tem um bote salva-vidas.

segunda-feira, 19 de março de 2012

ir sempre só com o indispensável

19 março

pai, queria dizer-te que todos me fogem como tu me fugiste.

domingo, 18 de março de 2012


foi o inverno que levou com ele as asas da nossa estrada.
assim sem céu não podemos voar. 
todas as coisas se parecem azuis ao cair da noite.
lá nas montanhas o azul torna-se mais sentido, pelo menos a confiar no que dizia paul cézanne mas ao meu pai só lhe interessa saber se o sporting ganhou.
a mim não.

ganhou, pai.
falo de falta com a gravidade de uma folha a cair da árvore.falo não porque queira mas porque me faz falta.
é um respiro porque tem que respirar, um bater involuntário de músculo. mais fácil será falar de ausência do que plenitude de coração. quando ela existe, se acaso existe. é mais fácil lembrar da tua falta do que da tua cara. já disse, o tempo pinta tudo de branco e tu não serás excepção. serás tela por pintar encostada a uma parede da casa. o que pinto é a tua distância na ténue lembrança que de ti tenho. sem convicção e com o pesar de trazer um piano de cauda amarrado ao tornozelo.
pesar

sábado, 17 de março de 2012

tropeço subitamente na minha sombra e o que projecto é transparente como eu.
moramos cá dentro numa clarividência de vidro.
deixa a luz entrar, não tenhas medo.

o tempo pinta tudo de branco.

terça-feira, 13 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

sábado, 10 de março de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012


- não há meia noite no fundo do mar, cinderela.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Miura olhava aquela fragilidade de dois pés. Olhava-a sem pestanejar, olímpica e ansiosamente. Com ar de quem joga a vida, o manequim de lantejoulas caminhava sempre. E, quando Miura o tinha já à distância de um arranco, e ainda sem compreender olhava um tal heroismo, enfatuadamente, o outro bateu o pé direito no chão e gritou: - Eh! boi! Eh! toiro! A multidão dava palmas.

miguel torga, os bichos

quinta-feira, 1 de março de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

domingo, 26 de fevereiro de 2012

lá atrás



eu que me olho tão pouco, pouco importa se para trás quando na frente está um mar de mins.

sábado, 10 de dezembro de 2011

.

há dias em que se nos cola às costas uma tristeza...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes




encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes




ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos




E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos








David Mourão-Ferreira

1927-1996



Obra Poética 1948-1988

David Mourão-Ferreira

Editorial Presença

terça-feira, 13 de setembro de 2011

sou uma merda mesmo

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

as palavras não fazem dançar


as palavras não valem nada. são um pálido reflexo daquilo que a nossa alma quer dizer mas nunca diz realmente. somos um pote de coisas que pensamos a encher constantemente. entupimos a nossa matéria a cada minuto. podemos reagir ao som das palavras que nos dizem mas nunca reagimos inteiramente porque não sentimos o seu verdadeiro conteúdo. sabemos que quando nos gritam faz sentir coisas más e que quando nos susurram faz sentir coisas boas. tudo o que a isso é intermédio somos um túnel vazio por onde passeia o alfabeto. isso e mais nada.

só os poetas chegam onde mais ninguém consegue. só os bons poetas mas nem esses nos fazem dançar.

domingo, 4 de setembro de 2011



foi o verão que levou com ele as pedras da nossa estrada.
assim sem chão resolvemos voar.

passo







sábado, 27 de agosto de 2011

"

perto do mato. atrás da porta. perto da ponte. atrás das águas.
na garrafa sou mensagem mar a dentro. depois da porta.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

_

jurava nunca mais ser infeliz se amanhã acordasse com o teu telefonema.

e cumpriria.

sábado, 20 de agosto de 2011

you?

Charles Bukowski
Bluebird



there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?

primeiro dia de obras num sábado à tarde

porque há momentos em que a nossa casa adoece. primeiro aprodece o sotão e depois os bichos vão comendo tudo devagarinho até chegarem às unhas dos pés, o chão que lembramos sempre como a cozinha da casa da avó. e porque há momentos em que a casa se parte em dois de um sopro e ficamos metade para cada lado ali caídos como uma folha no outono. separa-se o branco do preto, o bem do mal, o amargo do doce e somos só meia gente como quem não termina as palavr.

a nossa casa tinha tanta vida quando ainda não tinha morrido de saudades. tomou um comprido para dormir e morreu como nos romances. só que não morreu, mumificou a fingir num instante contínuo. assim como um para sempre parado.

precisas de obras, pensas. e talvez tenhas razão.

é preciso abrir um buraco na parede para entrar o sol, caiar por fora. mudar o chão do quarto e não me venhas com essa desculpa moderna de que o dinheiro não chega para nada.

-

queria dizer-te que sinto muita falta do teu colo. não tenhas pena de mim. não quero que tenhas. aliás nunca tiveste e é por isso que eu me encaixo no teu abraço como em mais nenhum outro. estás na minha cabeça todos os dias da minha existência. sem excepção. mas estás sobretudo no meu coração que esvazia a pouco e pouco. queria que me devolvessem a minha ingenuidade, queria que me levasses outra vez ao talho para comprar os bifes de perú e que me contasses repetidamente a história de todos os reis de portugal como sempre fazias. queria só ouvir-te mais uma vez a explicar-me porque se deve praticar o bem independentemente do mal que nos façam. queria ver-te escrever o teu nome com a tua letra tão bem desenhada e queria ouvir-te contar apaixonadamente a história dos teus pais e dos pais dos teus pais e dos nossos primos afastados que nunca consegui decorar. quando me punhas a mão no ombro era como se as mães todas do mundo abrigassem os seus filhos ao mesmo tempo. vou demorar a vida toda a decifrar esta saudade que mata devagarinho e que às vezes também é boa mas quase sempre sufoca. ainda hoje neste vazio imenso que me tapa só a tua lembrança conforta. um bocadinho apenas mas conforta. queria olhar para as tuas mãos outra vez. pensar admiravelmente nas histórias que os anéis contavam lá dentro dos teus dedos.

tenho tantas saudades tuas que quase sempre me esqueço de mim. de como eu era quando tu existias tranquilamente na minha vida e de como tudo era paz. talvez tenha saudade dessa ingenuidade que me roubam todos os dias porque é essa ingenuidade que me une a ti. nunca quis crescer e sempre quis crescer. no fundo sempre me foi indiferente desde que sentisse a tua mão no ombro.

sei que não sou má. não sei o quanto sou boa mas o que me assusta mais é cada vez querer saber menos disso.

e eu tenho tentado tanto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

o que é a tristeza?


a criança e a vida - maria rosa colaço

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

?

não é que não me entre pelo peito a dentro uma imensa metafísica de meter respeito até a agostinho da silva.

não é que não chore com a leveza branquinha das nuvens nem é que não que fique com o corpo dividido a meio por causa da destruição das florestas e com a barbaridade auferida aos animais. até às moscas.

não é que não questione a pobreza de espírito de quem não presta nem a riqueza infinita de quem é bom.

(a natureza humana será sempre um tratado filósofico por escrever e a ambição de a entender fará sempre inveja às grandes descobertas da ciência)

não é que nada disso

mas também gosto de pensar com o teu corpo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

a beleza no estado mais puro






a p a i x o n a d a

o bom de ter blogs antigos é descobrir fotografias que achava perdidas.
um dia quando este blog for antigo sei que vou encontrar-te outra vez.

terça-feira, 21 de junho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

" "

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


cecília meireles

quinta-feira, 12 de maio de 2011

para a minha avó

receio que o meu coração seja pequeno para tanto amor que deste.
um dia destes morro de amor por ti porque de saudades já morro a cada instante.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

" "

Há uma exuberância na bondade que parece ser maldade.


Friedrich Nietzsche

terça-feira, 3 de maio de 2011

"

quando o corpo se abre ao silêncio capas de discos amarelecem ao sol.

digo:
ter o nome debaixo da língua
e ter a íngua morta
é ter a chave da casa da moeda
mas não saber de que porta.

carta nº 3

gostavas quando o som aumentava o suor do teu corpo em ansiedade. és como eu, um pico na corrente que às vezes vai abaixo. outras vai tão acima que ninguém lá chega. gostavas de levar o corpo ao limite e levaste uma vez de vez.não faz mal já te perdoei.
sem deus e sem nada.

eUsOuoRiO

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"

gosto muito de saladas; de todos os tipos mas principalmente de salada de frutos da imaginação - disse eu lambendo os dedos e pousando a faca na mesa.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

*sublinhado

"... Depois o silêncio.
E na parte mais densa do silêncio, desce do tecto a aranha que aprisiona a tua infância."

al berto

terça-feira, 15 de março de 2011

paisagem

                                                      é tudo aquilo que me cerca e me mora.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

peixe

se eu fosse peixe nadaria de costas


perto da espinha o arrepio é mais romântico.

o nome da cidade onde nadaria seria nada

e viria a dizer nos livros da ciência especializada

que todos os meus vizinhos nadariam como eu,

de costas perto do arrepio.

onde a água sai do corpo e

a febre a seca em momentos de crise social

somos peixes a nadar de costas

apenas isso e as escolas do mundo

continuam iguais, a cuspir poetas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011