quinta-feira, 17 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
saldo positivo
chegar aos 38 anos e só me ter arrependido de duas coisas nesta vida não é nada mau.
mas fliscorne ainda vou tocar, podes ter a certeza.
mas fliscorne ainda vou tocar, podes ter a certeza.
terça-feira, 8 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
no 1º de maio perder tempo a discutir campanhas de hipermercados?
não.
o rufus é que a sabe toda.
come e cala-te.
...
não tenho o poder da palavra. nunca a penduro na parede certa. não sei exprimir o meu sentido dela.
para mim a palavra é um desenho, até uma frase pode ser um desenho. sou como os chineses que lêem pequenos desenhos. falo pequenos desenhos tão figurativos quanto me é possível desenhá-los mas no fim tudo acaba em grandes gatafunhos como se eu fosse o último dos conceptualistas. e não sou.
o verdadeiro sentido de uma palavra nunca é para mim ele próprio, só, única e exlusivamente. falo como penso, escrevo como desenho. por conceitos. conceitos egoistas, meus que mais ninguém lê. não que eu não queira, apenas porque os não consigo traduzir. falar é sempre uma frustração, é qualquer coisa que fica perto do que quero dizer mas nunca lá chega. como eu
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
presente
|
de todas as calmas do mundo,
esta urgente é a que melhor me veste.
e melhor me despe.
e melhor me deste.
|
terça-feira, 24 de abril de 2012
relatório mais ou menos semanal de sonhos:
1. namorava com o tim maia quando ele era novo e já bastante gordo (o que me fez muita confusão mesmo no sonho)
2. que me ofereceram uma lingerie de renda branca (que odiei mas que vesti sem hesitar)
3. que tinha ido ao porto
4. que a sónia tinha achado a lingerie branca bonita (o que me escandalizou)
5. que a minha mãe me levava sozinha no carro no banco de trás (e eu senti-me de novo criança)
6. que um rato morto afinal estava vivo (debaixo do carro quando ela estacionou)
7. que me caiam os dentes (e que a minha mãe disse que não tinha importância. importante era o rato morto afinal estar vivo)
2. que me ofereceram uma lingerie de renda branca (que odiei mas que vesti sem hesitar)
3. que tinha ido ao porto
4. que a sónia tinha achado a lingerie branca bonita (o que me escandalizou)
5. que a minha mãe me levava sozinha no carro no banco de trás (e eu senti-me de novo criança)
6. que um rato morto afinal estava vivo (debaixo do carro quando ela estacionou)
7. que me caiam os dentes (e que a minha mãe disse que não tinha importância. importante era o rato morto afinal estar vivo)
domingo, 22 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
à superfície
por baixo da pele há vários rios que vão dar à foz da minha saudade
enquanto a ciência prova todos os dias que o sol nasce
eu provo todos os dias que o meu coração tem um bote salva-vidas.
enquanto a ciência prova todos os dias que o sol nasce
eu provo todos os dias que o meu coração tem um bote salva-vidas.
segunda-feira, 19 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
falo de falta com a gravidade de uma folha a cair da árvore.falo não porque queira mas porque me faz falta.
é um respiro porque tem que respirar, um bater involuntário de músculo. mais fácil será falar de ausência do que plenitude de coração. quando ela existe, se acaso existe. é mais fácil lembrar da tua falta do que da tua cara. já disse, o tempo pinta tudo de branco e tu não serás excepção. serás tela por pintar encostada a uma parede da casa. o que pinto é a tua distância na ténue lembrança que de ti tenho. sem convicção e com o pesar de trazer um piano de cauda amarrado ao tornozelo.
é um respiro porque tem que respirar, um bater involuntário de músculo. mais fácil será falar de ausência do que plenitude de coração. quando ela existe, se acaso existe. é mais fácil lembrar da tua falta do que da tua cara. já disse, o tempo pinta tudo de branco e tu não serás excepção. serás tela por pintar encostada a uma parede da casa. o que pinto é a tua distância na ténue lembrança que de ti tenho. sem convicção e com o pesar de trazer um piano de cauda amarrado ao tornozelo.
sábado, 17 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
domingo, 11 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Miura olhava aquela fragilidade de dois pés. Olhava-a sem pestanejar, olímpica e ansiosamente. Com ar de quem joga a vida, o manequim de lantejoulas caminhava sempre. E, quando Miura o tinha já à distância de um arranco, e ainda sem compreender olhava um tal heroismo, enfatuadamente, o outro bateu o pé direito no chão e gritou: - Eh! boi! Eh! toiro! A multidão dava palmas.
miguel torga, os bichos
quinta-feira, 1 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sábado, 10 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão-Ferreira
1927-1996
Obra Poética 1948-1988
David Mourão-Ferreira
Editorial Presença
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão-Ferreira
1927-1996
Obra Poética 1948-1988
David Mourão-Ferreira
Editorial Presença
terça-feira, 13 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
as palavras não fazem dançar
as palavras não valem nada. são um pálido reflexo daquilo que a nossa alma quer dizer mas nunca diz realmente. somos um pote de coisas que pensamos a encher constantemente. entupimos a nossa matéria a cada minuto. podemos reagir ao som das palavras que nos dizem mas nunca reagimos inteiramente porque não sentimos o seu verdadeiro conteúdo. sabemos que quando nos gritam faz sentir coisas más e que quando nos susurram faz sentir coisas boas. tudo o que a isso é intermédio somos um túnel vazio por onde passeia o alfabeto. isso e mais nada.
só os poetas chegam onde mais ninguém consegue. só os bons poetas mas nem esses nos fazem dançar.
sábado, 27 de agosto de 2011
"
perto do mato. atrás da porta. perto da ponte. atrás das águas.
na garrafa sou mensagem mar a dentro. depois da porta.
na garrafa sou mensagem mar a dentro. depois da porta.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
you?
Charles Bukowski
Bluebird
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?
Bluebird
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?
primeiro dia de obras num sábado à tarde
porque há momentos em que a nossa casa adoece. primeiro aprodece o sotão e depois os bichos vão comendo tudo devagarinho até chegarem às unhas dos pés, o chão que lembramos sempre como a cozinha da casa da avó. e porque há momentos em que a casa se parte em dois de um sopro e ficamos metade para cada lado ali caídos como uma folha no outono. separa-se o branco do preto, o bem do mal, o amargo do doce e somos só meia gente como quem não termina as palavr.
a nossa casa tinha tanta vida quando ainda não tinha morrido de saudades. tomou um comprido para dormir e morreu como nos romances. só que não morreu, mumificou a fingir num instante contínuo. assim como um para sempre parado.
precisas de obras, pensas. e talvez tenhas razão.
é preciso abrir um buraco na parede para entrar o sol, caiar por fora. mudar o chão do quarto e não me venhas com essa desculpa moderna de que o dinheiro não chega para nada.
a nossa casa tinha tanta vida quando ainda não tinha morrido de saudades. tomou um comprido para dormir e morreu como nos romances. só que não morreu, mumificou a fingir num instante contínuo. assim como um para sempre parado.
precisas de obras, pensas. e talvez tenhas razão.
é preciso abrir um buraco na parede para entrar o sol, caiar por fora. mudar o chão do quarto e não me venhas com essa desculpa moderna de que o dinheiro não chega para nada.
-
queria dizer-te que sinto muita falta do teu colo. não tenhas pena de mim. não quero que tenhas. aliás nunca tiveste e é por isso que eu me encaixo no teu abraço como em mais nenhum outro. estás na minha cabeça todos os dias da minha existência. sem excepção. mas estás sobretudo no meu coração que esvazia a pouco e pouco. queria que me devolvessem a minha ingenuidade, queria que me levasses outra vez ao talho para comprar os bifes de perú e que me contasses repetidamente a história de todos os reis de portugal como sempre fazias. queria só ouvir-te mais uma vez a explicar-me porque se deve praticar o bem independentemente do mal que nos façam. queria ver-te escrever o teu nome com a tua letra tão bem desenhada e queria ouvir-te contar apaixonadamente a história dos teus pais e dos pais dos teus pais e dos nossos primos afastados que nunca consegui decorar. quando me punhas a mão no ombro era como se as mães todas do mundo abrigassem os seus filhos ao mesmo tempo. vou demorar a vida toda a decifrar esta saudade que mata devagarinho e que às vezes também é boa mas quase sempre sufoca. ainda hoje neste vazio imenso que me tapa só a tua lembrança conforta. um bocadinho apenas mas conforta. queria olhar para as tuas mãos outra vez. pensar admiravelmente nas histórias que os anéis contavam lá dentro dos teus dedos.
tenho tantas saudades tuas que quase sempre me esqueço de mim. de como eu era quando tu existias tranquilamente na minha vida e de como tudo era paz. talvez tenha saudade dessa ingenuidade que me roubam todos os dias porque é essa ingenuidade que me une a ti. nunca quis crescer e sempre quis crescer. no fundo sempre me foi indiferente desde que sentisse a tua mão no ombro.
sei que não sou má. não sei o quanto sou boa mas o que me assusta mais é cada vez querer saber menos disso.
e eu tenho tentado tanto.
tenho tantas saudades tuas que quase sempre me esqueço de mim. de como eu era quando tu existias tranquilamente na minha vida e de como tudo era paz. talvez tenha saudade dessa ingenuidade que me roubam todos os dias porque é essa ingenuidade que me une a ti. nunca quis crescer e sempre quis crescer. no fundo sempre me foi indiferente desde que sentisse a tua mão no ombro.
sei que não sou má. não sei o quanto sou boa mas o que me assusta mais é cada vez querer saber menos disso.
e eu tenho tentado tanto.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
?
não é que não me entre pelo peito a dentro uma imensa metafísica de meter respeito até a agostinho da silva.
não é que não chore com a leveza branquinha das nuvens nem é que não que fique com o corpo dividido a meio por causa da destruição das florestas e com a barbaridade auferida aos animais. até às moscas.
não é que não questione a pobreza de espírito de quem não presta nem a riqueza infinita de quem é bom.
(a natureza humana será sempre um tratado filósofico por escrever e a ambição de a entender fará sempre inveja às grandes descobertas da ciência)
não é que nada disso
mas também gosto de pensar com o teu corpo.
não é que não chore com a leveza branquinha das nuvens nem é que não que fique com o corpo dividido a meio por causa da destruição das florestas e com a barbaridade auferida aos animais. até às moscas.
não é que não questione a pobreza de espírito de quem não presta nem a riqueza infinita de quem é bom.
(a natureza humana será sempre um tratado filósofico por escrever e a ambição de a entender fará sempre inveja às grandes descobertas da ciência)
não é que nada disso
mas também gosto de pensar com o teu corpo.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
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